Pela primeira vez em 11 anos, todos os Estados-membros e observadores da ONU discursaram nos debates gerais da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nesta segunda-feira, último dia dos discursos dos representantes dos países na tribuna da 72ª sessão da Assembleia Geral, três nações de língua portuguesa fizeram seus pronunciamentos, Angola, Moçambique e Timor-Leste.

O Brasil, que pela tradição é o primeiro país a discursar no encontro, fez seu pronunciamento na terça-feira, 19 de setembro. O presidente Michel Temer disse que “a ONU continua representando a possibilidade de um mundo mais justo. Um mundo de paz e prosperidade”.

Ele defendeu a reforma da organização e falou sobre “a necessidade de se ampliar o Conselho de Segurança para ajustá-lo às realidades do século 21”.

Temer deixou claro que o Brasil continua empenhado na defesa do Acordo de Paris e citou questões como comércio, paz, segurança e o Tratado de Proibição de Armas Nucleares.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, afirmou que as prioridades do secretário-geral da ONU, António Guterres, também são as prioridades de seu país.

Ele quer ver Brasil, Índia e um representante africano como membros permanentes do Conselho de Segurança e demonstrou preocupação com questões de paz e segurança.

Outro ponto importante de seu discurso foi a consolidação de uma cultura de prevenção de conflitos que envolva uma visão integrada dos três pilares do sistema das Nações Unidas: a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.

O primeiro-ministro de Guiné-Bissau, Umaro Embaló, falou sobre a crise política e institucional vivida por seu país desde 2015, quando o presidente José Mario Vaz demitiu o governo eleito do primeiro-ministro Domingos Simões Pereira.

Segundo ele, nesse momento “não se registram violações dos direitos universais que justifiquem a queixa ou suscitem preocupações dignas de registro nos indicadores de segurança pública”.

Já o presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, quer ver “um financiamento mais ambicioso da comunidade internacional para resolver as questões do clima.

Ele demonstrou preocupação com as ações do grupo terrorista Boko Haram na Nigéria, com a insegurança na República Centro-Africana, com o conflito na Síria, entre outros. Carvalho demonstrou também apoio total de seu país para ajudar a acabar com a crise na Guiné-Bissau.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, também deu prioridade à implementação do Acordo de Paris.

Ele declarou que para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, a rápida implementação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas é uma prioridade e defendeu que “deve ser uma prioridade para o mundo inteiro”.

Moçambique foi o primeiro país de língua portuguesa a discursar nesta segunda-feira, 25 de setembro. O embaixador Antonio Gumende expressou apoio à liderança e visão do secretário-geral da ONU.

Segundo ele, António Guterres “está levando a organização na direção correta para aumentar a eficácia”.

Para o embaixador moçambicano, somente uma ONU forte e vibrante poderá assegurar que a Agenda 2030 garantirá a criação de sociedades mais inclusivas e pacíficas sem comprometer a existência do planeta.

Logo depois, foi a vez do embaixador de Angola junto à ONU, Ismael Martins, falar que “os problemas econômicos e financeiros que afetam a maioria dos países tiveram um efeito negativo na mobilização de recursos para a implementação da Agenda 2030”.

Ele quer mais financiamentos e recursos para os projetos de desenvolvimento sustentável e disse que Angola está profundamente envolvida em cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O último país lusófono a discursar na Assembleia Geral foi Timor-Leste. A embaixadora junto à ONU, Milena Pires, lembrou que há 18 anos, a primeira força da ONU chegava ao Timor-Leste para pôr um fim aos conflitos e criar o caminho para alcançar a independência.

Pires fez um agradecimento especial em nome do povo timorense às Nações Unidas e a todos os funcionários civis e militares que, sob a bandeira da ONU, protegeram inocentes e salvaram vidas.

A embaixadora disse que o Timor-Leste completou seu décimo quinto aniversário da restauração da independência em maio deste ano. Ela explicou que durante esse período, as parcerias do governo com a ONU e suas agências alcançaram resultados importantes e inspiradores.

Milena Pires disse que o Timor-Leste continuará cooperando em todos os níveis em direção à estabilidade e à segurança da região e global. Ela deixou claro que o apoio da comunidade internacional tem um grande valor para a população timorense.